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sábado, 30 de outubro de 2010

#13


I wonder how winter will be
with a spring that I shall never see
I wonder how night will be
with a day that I shall never see
I wonder how life will be
with a light I shall never see
I wonder how life will be
with a pain that lasts eternally

In every night there's a different black
in every night I wish that I was back
to the time when I rode
through the forests of old

In every winter there's a different cold
in every winter I feel so old
so very old as the night
so very old as the dreadful cold

I wonder how life will be
with a death that I shall never see
I wonder why life must be
a life that lasts eternally
I wonder how life will be
with a death that I shall never see
I wonder why life must be
a life that lasts eternally

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

#12


S.E.R. - Svoboda eto rai (Liberdade é o Paraíso), de Sergei Bodrov - 1989


A liberdade é o paraíso, será certamente a esperança de Sacha, a criança e personagem principal do filme de Sergei Bodrov, mas o que é o Paraíso no interior esquecido e pobre da Rússia? Onde os orfanatos são mais prisões do que lugares de acolhimento, onde as pessoas são egoístas e mesquinhas, onde ter dinheiro é ter poder?
Sacha não tem mãe e nunca conheceu o pai. O seu sonho é encontra-lo e começar uma vida longe das grades enferrujadas do inferno onde está encarcerado. Para tal, foge do "orfanato", uma, duas, três vezes. É sempre apanhado, é sempre enviado de volta e nunca desiste. As suas viagens são longas e tristes e contam com o apoio de prostitutas, muçulmanos e outra criança, sendo sempre ignorado - e muitas vezes desprezado - por qualquer adulto que o veja. Ninguém faz nada de graça na terra do Diabo.
Bodrov mostra-nos uma Rússia sem escrúpulos, decadente e sem esperança. As viagens de comboio são isoladas com épicas paisagens de desolação e a interacção das pessoas é um testemunho de como tão facilmente um homem consegue ser desprovido de humanidade.
A viagem, essa, continua. Sacha descobre que o pai está preso numa prisão de segurança máxima. O seu sonho de encontra-lo é quase impossível. Mas como pode uma criança desistir? Que pode uma criança dizer ao pai? E que pode o pai sentir?

Um filme de Sergei Bodrov

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

#9

Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste...

Uma vila encardida - ruas desertas - pátios de lajes soerguidas pelo único esforço da erva - o castelo - restos intactos de muralha que não têm serventia. Uma escada encravada nos alvéolos das paredes não conduz a nenhures. Só uma figueira brava conseguiu meter-se nos interstícios das pedras e delas extrai suco e vida. (... ) Sobre isto um tom denegrido e uniforme: a humidade entranhou-se na pedra, o sol entranhou-se na humidade. (... )

Silêncio. (...) Ouço sempre o trabalho persistente do caruncho que rói há séculos na madeira e nas almas.


raúl brandão | húmus

sexta-feira, 30 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

#3

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

.
fernando pessoa

#2



jean luc godard | notre musique | 2004